Início » Blog » O preconceito contra o WordPress (e por que ele paga as nossas contas)

O preconceito contra o WordPress (e por que ele paga as nossas contas)

Por Leonardo Marioto em

Na primeira publicação do blog em 2026, trago uma discussão recorrente na comunidade de desenvolvedores (ou programadores, como desejarem 😅): o WordPress.

Como já escrevi antes, ele é o principal CMS da atualidade e, ainda assim, de uma das ferramentas mais criticadas dentro da comunidade tech.

É sobre isso que vamos falar neste post!

Preconceito tecnológico no mundo do desenvolvimento web

Você provavelmente já viu (ou falou rs) frases como:

  • “WordPress não é programação de verdade”;
  • “WordPress é só arrastar e soltar”;
  • “WordPress é inseguro”;
  • “WordPress não dá dinheiro”.

Quando iniciei como dev freelancer, eu também tinha um certo receio com o WP, principalmente em relação ao investimento de tempo e dinheiro necessários para melhorar minhas habilidadesna ferramenta, e se realmente existiriam clientes dispostos a pagar por esse tipo de trabalho.

Para minha surpresa, não só existiam cliente, como muitos deles (pequenas e médias empresas) levavam seus projetos online a sério e estariam dispostos a pagar uma boa quantia para que eu cuidasse deles.

E quanto mais eu pesquisava e aprimorava minhas habilidades em WordPress, mais percebia que muitas dessas críticas eram apenas preconceitos sobre algo que as pessoas não conhecem (ou simplesmente não querem conhecer).

E não há nenhum problema nisso. Nem todo mundo precisa trabalhar com WordPress (ainda bem rs). Aliás, nem todo projeto deve ser construído em cima do WordPress. Mas muitos deles, sim.

E para nós, devs freelancers, utilizá-lo pode ser surpreendentemente estratégico, pelo simples fato de que muita coisa já está pronta e que, apesar de desenvolver projetos ser algo importante, o verdadeiro ouro está na recorrência e na manutenção desses projetos ao longo do tempo.

Assim, é importante estudar a fundo o seu funcionamentopara conseguir desenvolver projetos com mais qualidade e indicar os melhores caminhos para o seu cliente, principalmente nesta nova era da inteligência artificial.

A “nova moda” de estudar arquitetura de software também se aplica quando falamos de WordPress.
Afinal, para utilizá-lo bem, precisamos entender a fundo a sua arquitetura.

A arquitetura do WordPress é mais robusta do que muitos imaginam

Diagrama da arquitetura do WordPress mostrando o núcleo central conectado a sistemas de contas, autenticação, permissões, API REST, publicação, gerenciamento de mídia e banco de dados. Os textos resumem as funções de cada módulo.
Arquitetura do WordPress e alguns de seus principais componentes

Quando olhamos o WordPress de forma superficial (e sem muita vontade de entendê-lo rs), é fácil achar que ele é apenas um sistema de temas e plugins.

Porém, por baixo dessa camada existe uma arquitetura bastante sólida e extensível, que foi sendo aprimorado ao longo dos anos, mais precisamente desde a sua concepção em 2003.

O WordPress foi construído com um sistema de hooks (actions e filters). Eles permitem modificar praticamente qualquer comportamento do sistema sem alterar o núcleo da aplicação.

Ou seja, com um bom entendimento da plataforma, é possível estender funcionalidades, integrar sistemas externos e criar soluções bastante personalizadas. E fazendo isso do jeito certo (por meio de temas filhos, por exemplo) você não perderá nenhuma customização ao atualizar o core do WordPress ou o tema do site.

Além disso, o WordPress conta com uma série de componentes que muitas aplicações web precisam construir do zero (e isso ajuda muito na velocidade de entrega dos projetos):

  • Sistema completo de autenticação de usuários;
  • Gerenciamento de permissões;
  • Estrutura de banco de dados consolidada;
  • Sistema de publicação de conteúdo (para o qual a plataforma foi originalmente desenhada);
  • API REST nativa;
  • Gerenciamento de mídia.

Ou seja, grande parte da infraestrutura básica de uma aplicação web já está pronta.

Entendo que você pode usar frameworks que já oferecem partes dessas estruturas prontas, como o Laravel, no entanto a curva de aprendizado será muito maior. E com certeza o trabalho também.

E isso muda completamente o jogo quando pensamos em nossa rotina multifacetada freelancer, como falo bastante na Trilha do Dev Freelancer.

Mas não se engane: apesar da facilidade inicial, é possível (e muitas vezes necessário) desenvolver customizações usando habilidades de programação dentro do WordPress.

E muito mais!

Close-up de uma tela de computador exibindo linhas coloridas de código com destaque de sintaxe, contendo trechos essenciais para segurança do WordPress em um editor de texto em um fundo escuro.
Foto de Ilya Pavlov na Unsplash

A segurança no WordPress depende mais de boas práticas do que da ferramenta

Outro ponto importante é sobre a segurança. Depois de mais de 6 anos desenvolvendo e mantendo projetos para clientes, eu nunca tive um site hackeado que estivesse sob minha responsabilidade. E a resposta para isso é simples: boa hospedagem e atualizações constantes.

Isso quer dizer que, na maioria das vezes, os problemas de segurança que vemos por aí não estão ligados ao WordPress em si, mas a instalações abandonadas, plugins desatualizados ou hospedagens de baixa qualidade.

Entenda também que, quando algo é muito utilizado (o WP hoje roda mais de 40% da web), consequentemente ele também será mais visado.

E aqui está também a nossa oportunidade freelancer, pois dentro desse universo estão milhares de negócios reais: pequenas e médias empresas com blogs, e-commerces, portais de conteúdo e sites institucionais. Ou seja, exatamente o tipo de projeto que move grande parte do mercado freelancer.

WordPress não é o único mercado

Não quero dizer que não exista mercado freelancer para além do WordPress, mas acredite: muitos clientes, técnicos ou não técnicos, chegam “prontos” com a ideia de utilizá-lo.

Por isso, gostando ou não, é uma fatia de mercado significativamente valiosa para simplesmente ser ignorada.

Pequenas e médias empresas movem grande parte do mercado freelancer

Existe um motivo pelo qual comecei a prestar serviços com WordPress. Quando pensamos na carreira freelancer, precisamos olhar para quem realmente contrata esse tipo de serviço.

Na maioria dos casos, não são startups de tecnologia nem grandes empresas de software, mas pequenos e médios negócios, como:

  • Ecommercers;
  • Escolas e plataformas de ensino;
  • Clínicas;
  • Escritórios;
  • Empresas pretadoras de serviços;
  • Prestadores de serviços autônomos.

Essas empresas precisam de presença digital. Elas precisam de um site, de um blog, de uma área de conteúdo, de um sistema para atualizar informações, vender produtos, etc.

Esse é justamente o tipo de problema que o WordPress resolve muito bem.

E dentre essas opções (claro que existem outras) destaco os ecommercers, plataformas de ensino e empresas prestadoras de serviços.

Geralmente, esses negócios possuem visão de longo prazo e, muitas vezes, contam com orçamentos voltados para o desenvolvimento e manutenção de seus projetos digitais. Muitas vezes, precisam de alguém que cuide disso de forma contínua.

Um botão quadrado branco em 3D com o logotipo roxo do WooCommerce dentro de um balão de fala, flutuando acima de um plano de fundo roxo inspirado no WordPress com uma sombra abaixo dele.
Foto de Rubaitul Azad na Unsplash

Dá pra viver de WordPress?

Sim, eu atuo totalmente focado em WordPress.

De fato, se você permanecer apenas no nível iniciante, fazendo instalações básicas de temas e plugins, dificilmente conseguirá cobrar valores mais altos pelos seus projetos. E com certeza terá de ficar rezando para o próximo projeto entrar.

Mas quando você começa a entender melhor o seu funcionamento, suas possibilidades de customização e integração com outras ferramentas, infraestruturas recomendadas a depender do tipo de projeto, você gradualmente passará a ser visto como um especialista, e não apenas como alguém que instala temas e plugins.

E é exatamente aqui que você quer chegar para construir uma carreira freelancer mais profissional e sustentável.

Mais uma vez: é possível sim viver de freelancer com projetos que não sejam em WordPress. Contudo, você irá precisar se especializar bastante para conseguir iniciar nesse mercado.

O verdadeiro valor está na continuidade dos projetos

Sei que vou soar repetitivo (e até chato 😅), mas esse é o meu papel aqui: conscientização.

No início da nossa carreira, qualquer projeto está valendo. Mas, à medida que vamos avançando e nos tornando mais conhecidos no mercado, nossa meta passa a ser outra: recorrência.

Com o tempo você percebe que o verdadeiro valor está na continuidade do relacionamento com o cliente. E cada nova demanda passa a fazer parte desse fluxo recorrente de trabalho:

  • Atualizações;
  • Manutenção;
  • Novas páginas;
  • Integrações;
  • Melhorias de performance;
  • Automação de processos.

Tudo isso faz parte do ciclo natural de um projeto web. Afinal, no fim das contas, projetos nunca acabam.

Para reforçar essa mentalidade (e sair um pouco da minha própria experiência), trago aqui um pequeno comentário de um dos alunos da Trilha:

“Buscar novos clientes é um processo trabalhoso. Mas quando vi que preservar aqueles clientes que já possuo, através de um bom atendimento, realizar as demandas solicitadas, a confiança do cliente foi aumentando e a recorrência se tornou natural. Assim esses clientes se tornam fixos e a base da minha estabilidade como freelancer.”

Nícolas Bagatini

WordPress não é a solução para tudo

Apesar de tudo o que disse até agora, é preciso ser honesto: WordPress não é a melhor solução para todos os projetos.

Eu nunca indiquei o WP para aplicações altamente complexas, produtos SaaS ou sistemas muito específicos podem exigir outras tecnologias e arquiteturas.

Isso significa que você não seria capaz de desenvolvê-los com ele? Certamente seria. Porém, à medida que o projeto cresce e passa a exigir cada vez mais customizações, integrações e controle sobre a arquitetura da aplicação, ele vai acabar virando um tremendo frankenstein.

Tecnologia é ferramenta

Precisamos ter em mente que tecnologia é ferramenta. E e cada ferramenta tem seu contexto ideal de uso. Você será capaz de martelar com uma chave inglesa? Sim. Isso é o mais indicado? Certamente não, rs.

O ponto que destaco é que para uma enorme parcela dos projetos web que existem no mundo real, o WordPress continua sendo uma solução extremamente eficiente.

Ignorar isso por puro preconceito tecnológico pode significar ignorar também grandes oportunidades profissionais. Principalmente para quem está construindo uma carreira como freelancer.

Mas se o seu objetivo principal for escrever código, com certeza existem stacks muito mais interessantes.,

E, para terminar, deixo aqui uma recomendação de vídeo do youtuber Dorian Develops, que também gosto bastante quando o assunto é freelancer, desenvolvimento web e assuntos afins:

Deixe um comentário

VOCÊ PODERÁ GOSTAR TAMBÉM

Sugestões de Leitura